Análise retirada do site globoesporte.com, por Carlos Augusto Ferrari
Tricolor
encontra 'avenida', mas vacila no fim
Muricy
Ramalho precisou de poucos minutos para perceber que o esquema 3-5-2 montado
para a partida não tinha sentido. Com três zagueiros para marcar apenas o
atacante Castillo, o treinador abriu de vez o São Paulo logo no início e
encurralou um adversário acanhado e claramente jogando para empatar. Faltou
calma para construir um placar mais amplo. O castigo veio no fim. Douglas,
adiantado como nos tempos de Ney Franco, e Paulo Miranda, intercalando entre as
funções de lateral e zagueiro, não são nenhum primor para atacar, mas
encontraram muito espaço. Muito mesmo, quase uma avenida. Por lá, nas costas de
Alfonso Parot, os brasileiros construíram as principais chances e abriram o
placar. O mesmo Douglas, logo no primeiro minuto, chutou rente à trave esquerda
de Toselli após fazer bela jogada individual. Aloísio resumiu bem a fase
difícil de um ataque que faz poucos gols. Depois de lindo passe de Ganso nas
costas da defesa, o “Boi Bandido” preferiu cruzar a bola para Luis Fabiano
quando poderia finalizar para o gol sem marcação. Livre, Ganso foi o maestro
que Muricy tanto sonha. Com ótima visão de jogo, conseguiu municiar o sistema
ofensivo. Foi assim que saiu o gol, aos 17. Em lance parecido com o de Aloísio,
ele encontrou o Fabuloso na área. Desta vez, não houve passe. O centroavante
soltou uma bomba, a bola tocou no travessão e entrou. Foi o centésimo gol dele
no Morumbi. O mesmo camisa 9 quase fez o segundo, de cabeça, logo em seguida. Parecia
um jogo tranquilo. Mas o São Paulo conseguiu complicá-lo. Os chilenos, até
então tímidos no ataque, só se arriscaram nos minutos finais e contaram com um
vacilo da defesa brasileira para empatar. Aos 40, Álvarez cruzou, Mirosevic e
Wellington não alcançaram, e a bola sobrou para Castillo deixar tudo igual.
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| Lampejo? Dupla pouco contribuiu após assistência e gol. |
São Paulo apaga e quase leva virada
Ganso continuou sendo o principal jogador do São Paulo no início do segundo
tempo, mas os vacilos defensivos do fim da primeira etapa voltaram a preocupar.
O Universidad Católica avançou o meio de campo e trouxe problemas para o
Tricolor. Castillo perdeu uma chance clara na pequena área ao escorregar na
hora de chutar e entregou a bola nas mãos de Rogério Ceni. Muricy deixou de
lado o desgaste físico e colocou Jadson na vaga de Douglas para dar mais
qualidade ao setor ofensivo. O Tricolor teve uma discreta melhora, mas mostrou
certo descontrole emocional para buscar o segundo gol. Aloísio correu como
sempre, mas pouco produziu. Luis Fabiano, preso na marcação, quase não teve
oportunidades para finalizar. A alternativa encontrada pelo treinador
são-paulino foi dar mais velocidade ao ataque. Osvaldo entrou em substituição a
Aloísio para jogar pelos lados e tentar abrir a defesa adversária. Em vão. Em
má fase (não faz gols desde 28 de fevereiro), o atacante errou dribles, ficou
distante de Luis Fabiano e ajudou a aumentar o nervosismo. Os minutos finais
foram de angústia para a torcida e de alguns sustos. Os chilenos, satisfeitos
com a igualdade, tiveram a ajuda da atrapalhada defesa tricolor para levar
perigo. Do outro lado, um ataque inofensivo, fácil de marcar e que não
finaliza. E o São Paulo vai precisar de gols para continuar na competição.
"Se esse resultado tivesse sido com outro técnico... Conseguiríamos ouvir as vaias até agora." (Rafa Malagodi)

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