"2025 não será fácil..."
Foi com essa frase que terminei a retrospectiva 2024. Mas quando eu tive tal percepção jamais imaginaria que além de não ser fácil, seria tão complexo esse ano.
Na retrospectiva desse ano vou fazer um pouco diferente, e assim como escrevi em tantas resenhas fazendo analogias e trazendo minha vida para dentro do blog, vou tentar fazer o mesmo aqui e tentar "lincar" o momento do tricolor na temporada com o blogueiro aqui. A tarefa não será fácil, mas bora tentar.
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Campeonato engana bobo (foto: Rubens Chiri) |
Como todo começo de ano, as projeções são feitas e as expectativas para que elas aconteçam é sempre grande, mas nem sempre elas acontecem, não é mesmo?! E depois de começar a preparação nos Estados Unidos (eu não. Eu estava em Pirituba mesmo rs) o paulistinha teve início com aquela preguiça que lhe é peculiar, mas ainda sim, pelo São Paulo eu seguia indo aos jogos, acompanhando de perto. Mas uma pausa aqui. Esse ano, acredito que deve ter sido o que "menos me preocupei" em acompanhar os jogos, seja no estádio ou na TV. Voltando pro texto, apesar desse começo sem tantas expectativas, de certa forma a equipe conseguia alguns resultados. Zubeldía era o treinador desse início, e o argentino contava com a desconfiança de muita gente. Aquela altura eu ainda acreditava no seu trabalho. Até porque eu sempre vi o elenco e diretoria como fatores piores que os treinadores. Achava realmente que ele ainda teria algo a oferecer, mas o primeiro revés do ano veio 2 meses após o início da temporada, com a eliminação no paulistinha, num jogo em que o São Paulo foi assaltado em pleno Allianz Parque (
chamem a polícia!).
Dentro das minhas expectativas fora do futebol, tudo seguia as mil maravilhas. Era Carnaval, família próxima, viagem, praia e início de novas experiências que estariam a caminho. Parecia mesmo que seria um ano maravilhoso que estava sendo escrito. O futebol parte, é claro, pois como mencionei, não esperava coisa boa para o tricolor.
Quando o brasileiro começou, lá estava eu, sozinho no Morumbi, vendo o 1° de 51 pontos sofridos conquistados ao longo de 38 rodadas, em um empate horroroso contra o pior time do campeonato e, com direito a pênalti perdido por Calleri (pra mim, a decepção do elenco). Lembro de ter escrito (
Começando mal) que o campeonato começava estranho, e foi exatamente isso que aconteceu.
Em meio a tantas desconfianças e o início do BR/25 apagado, a libertadores, o campeonato que o clube tanto se vangloriou mas que perdeu prestígio nos últimos anos, teve seu início ali em abril, e foi justamente nesse mês que minha vida também passou a ter momentos marcantes. Eram fortes intensidades vividas. O técnico Zubeldía a beira do gramado era outro que vivia de forma intensa. Não a toa acumulava cartões amarelo a cada partida. Os meus cartões eram todos "verdes".
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Mal presságio? (foto: internet) |
As partidas do tricolor nem sempre eram boas, mas os resultados estavam acontecendo. Inclusive o time passou a ficar quase 2 meses sem um derrota sequer. Na libertadores por exemplo, os três jogos fora de casa foram com vitórias. Não tinha o mesmo desempenho em casa, ainda assim o time fez a terceira melhor campanha da 1ª fase. E por falar em fase, talvez tenha sido o melhor momento desse blogueiro aqui. As coisas fluíam com tal naturalidade, que a sensação era que tudo seria da forma como imaginei. Nesse período vivi momentos e situações que ficarão guardados na memória para sempre, justamente para lembrar que apesar do ano louco, tiveram momentos bons e marcantes.
Depois da sequência de invencibilidade, as coisas no tricolor passaram a ficar esquisitas, e o treinador Zubeldía que tinha apoio incondicional da principal organizada, e principalmente de seu presidente, passou a ser também contestado por suas escolhas e pelo futebol mal jogado. Em 12 de junho, dia dos namorados, fui com minha esposa ver a péssima partida, e após derrota em casa para o Vasco (
acabou a paixão) o treinador não aguentou a pressão e caiu (não no chão, se demitiu kkk). Curiosamente esse período teve muita pressão na vida de quem vos escreve... Tive momentos de incertezas, desentendimentos, pensamentos intrusivos, angústia. Algumas esperanças em meio a isso tudo. Algumas se concretizando, outras não tiveram o mesmo rumo, mas as coisas caminhavam para seus devidos lugares, como deveria ser.
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Vai resolver os problemas? (foto: UOL) |
No futebol, houve um recesso de cerca de 1 mês para disputa do mundial de clubes, e sem o treinador Zubeldía, a diretoria (que é o ponto mais negativo do clube no ano - e há anos) foi atrás de um velho conhecido de 4 anos antes, Hernán Crespo. De cara a "novidade" surtiu efeito e após começar com derrota, teve uma sequência de 5 vitórias consecutivas. Parecia até que o time teria um novo rumo na temporada, mas uma das coisas que mais assolaram o time estava ficando cada vez mais evidente. O número de lesões entre os atletas aumentava consideravelmente a cada semana. Era comum a lista de jogadores no departamento médico ser pauta dos noticiários. Não bastava os três únicos centroavantes do time estarem lesionados, todos tinham lesão de joelho e não retornariam na temporada. Sem falar na "turma da lesão muscular", que volta e meia ficava semanas fora de combate. Ao fim da temporada foram contabilizadas 70 lesões no elenco, e antes mesmo do fim do ano, e dessa resenha ser postada, um escândalo no clube apareceu, com alguns atletas estarem sendo tratados com um medicamento que combate a obesidade e nem é prescrito no Brasil. O tal do
mounjaro, e gerou demissões na comissão. Curiosamente, a minha mudança de aparência física, e que foi muito comentada pelas pessoas do meu convívio, era volta e meia questionada (muitas vezes em tom de brincadeira) se eu não estava utilizando esse mesmo medicamento. O que essa pessoas não sabem, e nem tem que saber, é que isso eu não faria com minha saúde, o emagrecimento se deu por outras razões, que só quem estava ao meu lado sabe...
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Medicina futebol clube (foto montagem: Instagram) |
No campo, com tantas lesões aparecendo Hernán Crespo pouco conseguia montar uma equipe competitiva, e se virava como dava para manter um padrão, mas para piorar, nomes como Lucas e Oscar eram constantes na lista do DM. E por falar em Oscar, já na reta final da temporada o meia teve um problema cardíaco, ficou internado e decidiu parar de jogar aos 34 anos. A saúde do time precisava ser tratada, e a minha também. Dentro do turbilhão de coisas que aconteceram e inclusive fizeram eu perder bastante peso, fui atrás de acompanhamento terapêutico. E nem era o São Paulo responsável pela bagunça mental (apesar do clube ter todos os requisitos para deixar qualquer torcedor assim). Questões de ansiedade vinham atrapalhando meu dia a dia. Em alguns casos, nem mesmo assistir aos jogos estavam tendo o mesmo "sabor". Não conseguir lidar com esses anseios, fez eu deixar de desfrutar muitas coisas na qual eu me pego pensando que elas teriam sido diferentes. Com certeza. Esse processo de terapia juntamente com a contribuição das pessoas que amo ao meu lado, dando o respaldo da forma como podiam, foi fundamental para ajudar nesse momento.
Mas como tudo na vida é um processo, seja comigo ou com o tricolor, as coisas precisavam caminhar para as melhoras acontecerem. Eu seguia (e sigo) no "tratamento", e Crespo tentava fazer o mesmo no time, mas a melhora parecia ser quase irrisória. E muitas vezes nem acontecia (até parece a terapia rsrs). Era um jogo bom, outros dois ou três ruins, era um sobe e desce muito grande, e em meio a isso as eliminações começaram a surgir. Logo depois de voltar da pausa do mundial de clubes, o time foi eliminado na copa do Brasil nos pênaltis, com todos os atletas do time errando suas cobranças. Sabino, Tápia e Jandrei foram os "culpados". Nas semanas seguintes, nas oitavas da libertadores, o time voltou a disputa de pênaltis, mas dessa vez o tricolor se saiu melhor. Eu estava nesse jogo e lembro que parecia que o dia não teria fim... Contei o episódio no link ao lado... (
com dificuldade, mas deu certo).
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Casares e a venda precoce que ajudou a ruir o time (foto: Instagram) |
A classificação parecia ter dado uma nova injeção de ânimo, mas com um mês de diferença para a próxima fase, o time voltou a esfarelar. Os principais nomes seguiam no DM, e para piorar a diretoria (aquela nefasta) que seguia na contramão do time, viu suas vendas precoces de meses antes fazerem falta. Nomes como Lucas Ferreira, Matheus Alves e Henrique Carmo, que demonstravam bom potencial para a temporada, foram vendidos do dia para noite. Além de ser "fora de hora" geraram um valor muito baixo tendo em vista a evolução que esses atletas ainda teriam. Juntos custaram apenas 120 milhões de reais. Com tanta dívida no clube, oriundas da má administração e dos juros bancários, esses valores pouco efeito fizeram nas contas e de quebra, as vendas ainda tiraram o principal ativo, que seria a contribuição deles dentro de campo.
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In loco "sempre" (fotos: arquivo pessoal) |
Como tem acontecido ano após ano, ser eliminado na libertadores praticamente decreta o fim de ano do clube. Porém isso não poderia acontecer, pois no brasileiro os pontos seguiam sendo conquistados a míngua. Vencer em casa virou sinônimo de raridade. Para "ajudar" começou os rumores de atrasos de salários do elenco e curiosamente, o time passou a jogar mal. Mesmo com essas instabilidades no time, eu seguia indo as partidas e sofrendo com o futebol apresentado. Lembro inclusive que em meio a essas partidas instáveis, realizei um sonho de ir sozinho com minha filha para a arquibancada (
sonho realizado), e desfrutar do momento, independente do que acontecesse no campo. Durante todo esse período, nas resenhas que eu postava aqui no blog, eu tentava sempre relacionar a partida com algum episódio vivido na semana ou naquele dia, então, quem acompanhou percebeu quantas coincidências ocorriam entre o blogueiro e o tricolor.
Dentre tantas resenhas, eu destaco aqui algumas que gostei de escrever ou gostei simplesmente da partida:
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Protestos, mas poucos efeitos (foto: Internet) |
A cada resenha e rodada passada, uma contagem regressiva eu fazia para o time chegar logo na pontuação que livraria do maior mal, o rebaixamento. Pode parecer exagero, pois existia clubes piores no campeonato, contudo, eu cheguei a acreditar que isso pudesse sim acontecer. É tanta coisa errada dentro daquele clube, que parece que uma hora a camisa pesada não vai suportar e velha frase que ainda podemos sustentar que "time grande não cai" uma hora acaba. Aos trancos e barrancos a pontuação foi conquistada e o time seguia rumo ao fim da temporada sob muitas desconfianças até mesmo para o próximo ano. Os bastidores no clube estava cada vez mais complicado. Parte da torcida (no caso as organizadas) que não criticavam a gestão do péssimo Júlio Casares e sua corja, percebeu que estava insustentável tal "apoio" e as criticas e protestos passaram a tomar cada vez mais corpo. Inclusive, o São Paulo foi obrigado a jogar fora do Morumbi devido a shows, e a escolha de atuar em 4 partidas na Vila Belmiro, em Santos, foi a prova da zona interna que o clube vivia (e vive, infelizmente).
O vexame de levar uma goleada de 6 a 0 para o Fluminense a três rodadas do fim (
vergonha), fez o principal diretor Carlos Belmonte pedir demissão. Seria um começo, mais ainda estava (está) longe das coisas melhorarem. Até porque o principal responsável, o presidente, segue firme no cargo. Enquanto escrevo (hoje, 19/dez), um novo escândalo por venda ilegal de ingressos em camarotes corporativos no estádio nos dias dos shows, colocou a tona mais um capítulo de como a banda no clube tem sido tocada há anos. E com um ano tão ruim, o time ainda chegou ao fim do brasileiro na oitava posição, o que foi visto com bons olhos por muita gente. Impressionante a utopia que vivem.
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A base! (foto: arquivo pessoal) |
Se o ano de 2025 "eu previ" dificuldades, posso dizer que o próximo tende a ser igual ou pior. O clube está endividado e nas mãos de pessoas incompetentes, sem contar os jogadores limitados que seguirão no clube para nosso desespero. Mas se for para ser um 2026 ruim, que esse seja exclusivamente do São Paulo, não para mim! Eu espero ter novos caminhos e horizontes em minha vista, e que os momentos ruins que apareceram tenha servido de lição para fortalecer ainda mais tudo aquilo que foi construído ao longo de anos.
Eu vivi momentos e situações inesquecíveis ao longo da "minha temporada", até mesmo uma cachorra foi adotada, após eu dizer há 13 anos atrás que não queria mais cachorro em minha vida. Cabelo descolorido por meses, frequentar lugares que não imaginava, fazer coisas que nunca havia pensado, entre tantas outras. Mas também vivi momentos de tensões... Espero ter aprendido com cada situação, e que diante dos próximos acontecimentos eu saiba como conduzir cada "rodada" da vida, para a "temporada" seguinte ser melhor. E no caso do tricolor, que não precise ver o fundo do poço para começar suas mudanças. Eu fui atrás de ajuda profissional. Vi que tinham bons e ruins, me encontrei nos bons. Tomara que o São Paulo também encontre bons profissionais para seguir firme.
Em 2026, vamos São Paulo, e vamos Rafael!!!
Rafa Malagodi