Hoje, há exatos 29 anos atrás, estive pela primeira vez no estádio do Morumbi. Desde então, estive muitas outras vezes. Bem menos do que eu queria, mas o suficiente para um apaixonado por futebol, que a cada vez que passa pelas catracas do estádio tem o sonho realizado e a lembrança daquela noite fria e de neblina.
Na época, perto de completar 12 anos, fui com toda família, inclusive minha mãe, uma presença raríssima e que não se repetiu mais. Foi a primeira vez do meu irmão também, que na época tinha acabado de completar 4 anos.
Lembro da chegada próximo ao estádio, num fusca bege, meu pai apontando para mim o letreiro do estádio. Só quem viveu experiência sabe o que estou falando... Ver o letreiro luminoso do estádio era algo mágico.
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| O gol que eu não vi, e quase ninguém viu. |
Lembro de algumas situações que envolveram o jogo e o antecederam também, como por exemplo uma partida preliminar entre São Paulo x Fluminense feminino, em que a jogadora do time carioca era a modelo Suzana Werner. E também o fato de a arbitragem não ter um assistente oficial, e um funcionário do São Paulo (não tenho ideia da sua função no clube) colocar um colete, pegar uma bandeira e auxiliar na partida.
Na época, se dizia que caso o São Paulo vencesse, o patrocinador do Ajax seria também patrocinador do tricolor. Não sei se eram as "fake news" da época mas correu a notícia. Dentro do campo o São Paulo saiu perdendo e eu uma criança mal conseguia prestar atenção, pois a grandiosidade do estádio me chamava mais atenção. Essa partida teve uma peculiaridade, que aconteceu somente no segundo tempo. Uma forte neblina começou a baixar no gramado e praticamente não se via nada da partida. Todos na arquibancada ficavam procurando algum lance para pelo menos poder enxergar o que acontecia. Depois de um tempo e sem conseguir enxergar, meu pai decidiu que iríamos embora. Claro que eu não gostei, pois estava de fato frustrado, e menos de 1 minutos depois de levantarmos, quando ainda estávamos nos corredores embaixo da arquibancada, um grito de gol. Me desesperei, procurando onde poderia "rever" o gol. Lembro de correr em direção de volta ao campo e meu pai gritar "agora não adianta mais". Mesmo assim voltamos, e o placar meio escondido mostrava que França havia marcado o tento que empataria e colocaria fim ao jogo na sequência. O famoso "gol que ninguém viu".
No caminho, ainda em êxtase, fiquei impressionado com a quantidade de carros e pessoas nos arredores. Mas fui pesquisar, e era pouco mais de 7 mil pessoas presentes. Mas para uma criança de 11 anos, uma infinidade. Quando chegamos em casa, outra coisa curiosa e que não sai da memória, nessa mesma noite, o então programa "Jô Soares 11 e meia" recebia Carlos Villagram, o Quico, do seriado Chaves. Era a primeira vez do ator em progrmas brasileiros.
Pois bem, de la pra cá, sigo sempre me recordando de momentos vividos no estádio tricolor. Hoje, levo minha família, mas agora noutra configuração, mas com a mesma alegria que aquele garoto há 29 anos atrás sentiu ao olhar seu sonho sendo realizado.
Rafa Malagodi
