3 de janeiro de 2020

Retrospectiva São Paulo 2019


Quando pensei em fazer a retrospectiva do São Paulo 2019, cheguei a cogitar em copiar qualquer uma das retrospectivas anteriores, pois os anos do clube tem sido idênticos, muda-se muito pouco. Ah, mas infelizmente é uma regularidade negativa.

Hernanes chegou para ser a esperança, 
mas pouco contribuiu dentro de campo.
(Foto: Rubens Chiri / São Paulo)
Para entender mais um ano ruim, é preciso lembrar que ele começa a ficar ruim, quando Jardine é efetivado como treinador lá no fim de 2018. Nada contra o treinador, que parece ser promissor, mas não classificar para a fase de grupos da libertadores deixou todos nós como uma pulga atrás da orelha. E quando veio a tal Florida Cup, num momento fora de contexto, as coisas pareceram ter ficado mais delicadas. O torneio preparatório nos deu a impressão de atrapalhar o inicio do ano.

Já nos primeiros dias do ano, se sabia que Hernanes estaria de volta, e sem dúvida, todos imaginaram aquele Hernanes salvador, de 2017, mas bastou os primeiros jogos sem ritmo para o torcedor perceber que a China fez muito mal ao profeta. Se não tivesse ido embora no fim do BR-17...

No primeiro jogo do ano, pelo paulistinha, levei minha filha Mariana ao estádio pela primeira vez. 4 a 1 de virada em cima do Mirassol. Muita emoção da minha parte, por ter vivenciado aquele momento, porém, mal eu sabia que seria um dos únicos bons momentos do ano.
Eliminações precoces e vexatórias...
Dura rotina anual
Como esperado, Jardine e seus comandados não conseguiam fazer uma partida que desse ao menos esperança ao torcedor, e o primeiro vexame do ano antes mesmo da metade de fevereiro. O tricolor pegou o pequeno Talleres, da Argentina, e foi eliminado sob vaias. Aquele fim de BR-18 foi determinante. Jardine deixava o comando do clube, e o ano do São Paulo seria mais uma vez uma bagunça.


Mancini, então coordenador técnico, assumiu o time até a chegada de um treinador efetivo. Até porque, como o mesmo disse, não veio ao clube para ser treinador. Mas seu nome ainda será lembrado até o fim do ano...
Pato chegou para amenizar o ambiente,
mas sem futebol, terminou o ano no banco.
(Foto:Reprodução/São Paulo FC)
Sabendo de toda essa bagunça logo nos primeiros 4 meses de futebol, Leco, se aproveitou mais uma vez da situação e anunciou Alexandre Pato, tentado colocar panos quentes pela eliminação vergonhosa e o momento ruim do time.

Assim que foi contratado, fui totalmente contrário, pois não consigo enxergar todo o futebol que boa parte dos torcedores tricolores enxergam em Pato. Quando descobri o valor que foi (e será) pago, fiquei ainda mais contrariado.
Uma final após 16 anos. Classificação
 no Allianz foi muito comemorada.
(Foto: Rummens)
Pois bem, com Mancini o time entrou na fase decisiva do paulistinha jogando defensivamente, e conseguiu chegar as finais com direito a eliminar o Palmeiras, nos pênaltis, em pleno Allianz Parque. Contudo, Cuca, que havia sido contratado logo após a queda de Jardine, mas que só assumiria depois de dois meses, chegou ao clube na fase decisiva, e comandou o time na decisão do estadual. Na final, contra o SCCP, o time até chegou perto do título, mas nos minutos finais perdeu novamente, chegando ao seu sexto clássico sem vitórias.

Quando começa o Brasileiro, o time já tinha alguns novos nomes em seu elenco. Pato, Tchê Tchê e Vitor Bueno eram alguns desses, e quase todos com o aval de Cuca. A estreia diante do Botafogo marcou a presença mais uma vez de Mariana. Agora, era a primeira vez no Morumbi.
Inicio regular e elenco bastante modificado.
Mas os resultados não traziam tanta expectativa.
(Foto: Internet)
O time começou o campeonato de forma regular. Foi ter sua primeira derrota na 6ª rodada, e novamente um clássico diante dos SCCP. E antes mesmo do fim de maio, o time sofria outra eliminação. Dessa vez o Bahia foi o algoz. Curiosamente, fizemos 3 partidas contra o time baiano em 11 dias, e além de ser derrotados nos dois jogos pela Copa do Brasil, o tricolor paulista não marcou um gol sequer nesses três jogos. As primeiras cobranças contra o Cuca passaram a surgir.

Notícias que não faziam parte do dia a dia do clube, passaram a ser recorrentes, e a diretoria pouco se manifestava. Salários atrasados caíram como uma bomba. Nem mesmo a liberação de altos salários como Diego Souza, Nenê, Bruno Peres e Jucilei fizeram os gastos diminuírem, e a pressão no clube aumentou ainda mais.
Reunidos, grupo garante que direitos de imagem
 atrasados não atrapalharam o rendimento em campo.
(Foto:Reprodução/São Paulo FC)

Com a copa América, os campeonatos estariam parados por um mês, e a tendência era o time treinar e se preparar mais. Eu mesmo cheguei a dizer que essa parada seria excelente para o Cuca trabalhar melhor a equipe. Mas não foi isso que aconteceu. O São Paulo necessitava de peças importantes para seguir no campeonato e mais uma vez Leco e Raí não agiram como esperado. Todos cobravam jogadores decisivos e que pudessem dividir as responsabilidades da equipe, que estava toda em cima de Hernanes.

O tricolor foi ao mercado logo após a parada da copa América, e o nome contratado causou um impacto enorme no futebol brasileiro. Tanto pelo nome, como pelas cifras. Tratava-se de Daniel Alves, eleito o melhor jogador da competição vencida pela seleção brasileira. Sua apresentação levou cerca de 40 mil torcedores ao Morumbi, e debaixo de muitos aplausos, o lateral que é são paulino de coração, disse que viria para mudar o patamar do clube.
Daniel muda patamar do time,
e também a dívida.
(Foto: Marcos Ribolli)
No meu entendimento, pelo profissional e jogador que é, era a peça fundamental para o time. Porém, a chave da questão é o valor do seu salário. Com um valor mensal de 1,5 milhões de reais, o São Paulo arriscou muito alto.

O jogador que é lateral de origem, disse ao seu staff, que no São Paulo gostaria de jogar de meio campo, inclusive recebeu das mãos de Kaká a camisa 10. Concordando com sua “exigência”, a diretoria correu para anunciar então um lateral direito, e o nome da vez foi o espanhol Juanfran, de 34 anos.

Cuca não aguentou 6 meses.
Treinador pediu demissão.
(Foto: Antônio Cícero/Photopress)


Voltando ao futebol, o time tinha apenas o campeonato nacional para se preocupar. Muitos inclusive apostavam que o São Paulo era candidato ao título, porém, o futebol apresentado rodada após rodada não convencia. Empates a revelia e poucos gols marcados atormentavam qualquer torcedor. O São Paulo chegou a gastar mais de 50 milhões de reais em atacantes, mas nem isso foi o suficiente para tirar a marca negativa de “pior ataque” da história do clube. Apenas 59 gols foram marcados ao longo do ano.
Cuca percebeu que não conseguia tirar nada mais desse elenco, e logo no inicio do returno pediu demissão, alegando que sua saída poderia ser benéfica ao time, uma vez que seu trabalho não surtia mais efeito.
Mancini alega ser "traído" e expõe
falta de comando da direção.
(Foto: São Paulo/divulgação)


Diniz foi contratado. Era mais uma bizarrice da diretoria, que pouco respaldo dá aos seus treinadores, porém, essa teve um agravante. Vagner Mancini voltaria a comandar o clube, mas dessa vez abandonaria de vez o seu cargo coordenador. Mas não foi bem isso que aconteceu. Segundo o próprio, que chegou inclusive a vazar um áudio, os jogadores pediram a direção do clube, que Diniz fosse o escolhido. Encabeçados por Daniel Alves e Hernanes, a versão foi confirmada. Mancini pediu demissão do clube, alegando que foi preterido, mas foi ele mesmo que assumiu o cargo de coordenador dizendo que não seria treinador jamais. Esse era mais um capítulo da falta de comando da direção do clube.

Diniz chega a pedido dos jogadores,
mas seu trabalho segue questionado.
(Foto: São Paulo/divulgação)
 A desconfiança em torno do nome de Diniz era plausível, afinal, o treinador que tem um estilo ousado, não conseguiu sequer fazer um bom trabalho para ter seu nome lembrado. O melhor do São Paulo até então era parte defensiva. Tanto que o time terminou o ano como a defesa menos vazada. Tiago Volpi e Bruno Alves eram os mais regulares do time. Entretanto, a parte defensiva era justamente o calcanhar de Aquiles dos times de Diniz, e foi o que aconteceu com tricolor, que passou a levar gols e mais gols. Já o ataque, seguia a conta gotas...

Muita grana investida, e pouca bola na rede.
Pior ataque da história custou caro.

Diante de tantos problemas internos e dentro de campo, o torcedor passou a ficar cada vez mais irritado com o time. Se antes a expectativa do time era de brigar pelo título, as rodadas finais serviram para provar o contrário, tanto que, a vaga direta para a libertadores só chegou porque Flamengo e Athlético conquistaram suas vagas por serem campeões da Libertadores e Sulamericana, respectivamente. E a sexta colocação só foi garantida na penúltima rodada.


Protestos não poupou os principais
nomes do time, mas poupou Leco.
(Foto: Alexandre Guariglia/Lancepress)


Tantos problemas assim renderam protestos por parte da torcida. E como a principal organizada, age muitas vezes de forma política, quem deveria mesmo ter seu nome criticado (Leco) não era mencionado, e erroneamente, Hernanes foi alvo de xingamentos. Aqueles que o vaiaram, não devem ter memória boa, pois ele foi o nosso herói dois anos antes, e por pior que tenha sido seu ano, não mereceu em momento algum ser vaiado. Daniel Alves e Pato também forma alvo dos protestos. Pato, mais do que merecido.

Made in Cotia. A esperança da equipe
pode estar dentro de casa.
(Foto: Rubens Chiri)
O melhor momento do São Paulo ao longo do ano, certamente veio direto de Cotia. Dois nomes foram a surpresa para muita gente. Primeiro Antony, que chegou a fazer até gol na final do paulistinha. O atacante é canhoto e habilidoso. Curiosamente, seu futebol caiu de rendimento quando passou a ter seu nome bastante mencionado. Recuperou o bom futebol e terminou o ano sendo sondado por diversos clubes europeus.

O segundo jogador é um meia, Igor Gomes. Assim como Antony, foi protagonista no título da copa São Paulo de Júnior, e teve sua chance entre os profissionais. Seu bom momento na equipe chegou justamente quando Hernanes não estava rendendo, e o jovem fez boas partidas, a ponto da torcida pedir pela sua titularidade.

No fim das contas, o ano de 2019 foi muito parecido com tantos outros anos ruins que tivemos recentemente. Num alista de prós e contras, os contras ganham de goleada dos prós. Uma pena que parte da torcida do São Paulo não consegue enxergar isso. Não é por que nomes como Pablo, Hernanes, Pato e Daniel Alves foram contratados (por valores absurdos) que o torcedor deve sair gritando aos quatro ventos que o presidente fez a coisa certa. É preciso olhar para os erros que sobressaem. Perdemos valor de mercado, contratamos jogadores caros, jogadores ruins, e nem de longe temos os melhores profissionais no clube. Tudo sob as asas do presidente.
No próximo ano, o último da gestão Leco, não me parece ser tão animadora. O clube fechou o 2019 com um enorme déficit de mais de 180 milhões de reais, e deve ter sua dívida ampliada com o salário estratosféricos de alguns jogadores. Somente Pato e Daniel Alves aumentarão o rombo financeiro em 2,3 milhões de reais mensais...
Sinceramente, nesse atual cenário do time, qualquer conquista será uma surpresa para mim. Hoje, com os nomes que temos no elenco e no comando técnico, não consigo enxergar nada mais que outro ano sofrível para o time. Eu não queria que o time chegasse a libertadores, mas já que chegou, torcerei. Talvez pela nossa tradição no campeonato, possamos chegar onde nem mesmo imaginamos, por outro lado, a tradição do tricolor ficou presa no seu passado, e somente isso não ajudará em nada no resgate do clube, que antes de pensar em levantar títulos, precisa levantar sua moral.

FORA LECO

Rafa Malagodi



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