27 de dezembro de 2018

Retrospectiva São Paulo 2018


Como tem acontecido já alguns anos, o ano tricolor foi mais uma vez sem nenhum título, e com muitas dúvidas e problemas internos. Poucos foram os momentos de alegria nesse ano.

Começar com ele foi o 1º erro do ano.
Pra mim, tudo já começou perdido quando a diretoria, já encabeçada por Raí, bancou Dorival Jr. no cargo de treinador. Sabendo como o time terminou o ano de 2017, quase caindo pela primeira vez para a segunda divisão, os responsáveis deveriam ter iniciado o ano com outro treinador, pois estava mais do que escrito que ele não duraria muito tempo ali no comando. Bastava olhar para o campo e ver que seu time não tinha um padrão sequer de futebol.
Após um inicio de paulistinha ruim e ainda sem um bom futebol, Dorival foi demitido antes da segunda fase do estadual. Todos sabiam, e eu mesmo escrevi algumas vezes, não fosse Hernanes, somente o treinador não teria dado conta do recado em 2017.


Teria o profeta mudado o rumo desse ano?
Falando no profeta, o jogador ao contribuir (e muito) com a permanência do São Paulo na série A, fez o torcedor ficar esperançoso para o ano que viria pela frente, pois muitos já imaginavam o time bem mais ajeitado com o meia e mais alguns outros nomes, porém, o que muitos não esperavam foi que a diretoria, principalmente o presidente Leco, escondera da torcida uma cláusula no contrato do profeta, que dizia que ele deveria retornar à China no inicio do ano. A notícia caiu como uma bomba nos torcedores, e fez a reputação do presidente ficar pior. O mínimo que ele deveria ter feito era ter deixado isso claro, para que todos ficassem cientes que isso poderia ter acontecido. 


Pra segunda fase do paulistinha e restante do ano, Diego Aguirre foi contratado. O treinador tinha a fama de montar equipes mais fortes defensivamente, e era a partir desse setor que a diretoria acreditava que poderia ter melhor desempenho. O treinador foi bancado também por Lugano, diretor institucional.
O melhor momento do ano, o 1º turno.

Mas o time demorou a engrenar, principalmente pelo time sofrer gols em curto espaço de tempo, o que deixou muitos reticentes sobre a qualidade do treinador uruguaio. A sequencia de empates no inicio do brasileiro e os jogos ruins em casa, contribuíram pra isso. Eu mesmo cheguei a ficar desconfiado, porém, comecei a perceber que ele estava com o grupo na mão. 
Chegou para mudar a postura do time...

Quando veio a pausa pra copa, o tricolor fez um intensivo de treinamentos, pois haviam chegado jogadores que não fizeram a pré temporada, e isso serviria também para o treinador conhecer os jogadores. Dentre esses nomes estavam os experientes Diego Souza e Nenê. A chegada de Everton também fortaleceu bastante o elenco.
Na volta do brasileiro o tricolor engatou vitórias importantíssimas o que fez dele naquele momento o líder do campeonato. Com isso, o Morumbi passou a ser determinante e os jogos estava sempre lotados e as vitórias aconteciam.
Foi sem dúvida o melhor momento do time no ano!

Porém, veio a terceira eliminação do ano, e todas sob o comando de Aguirre. Depois de cair para SCCP no paulistinha, levando gol aos 47’ 2T e perdendo nos pênaltis, e caindo na copa do Brasil, em casa para Atlético/PR, foi a vez do time ser eliminado pelo pequeno Colón-ARG na Sulamericana. Restava apenas o brasileiro para o time dar uma resposta, mas foi acontecendo o que ninguém imaginava. 

Eliminações doloridas, esperadas e recorrentes.
O time passou a ter um jogo por semana, enquanto muitos de seus adversários se espremiam entre os demais torneios. Muitos, inclusive eu, acreditou que agora, com mais tempo de treinar seus times, o treinador faria esse time deslanchar. Mas foi justamente o contrário. O time chegou a ficar dois meses jogando apenas uma vez na semana e vencer apenas uma vez.
O que se dizia, era que o uruguaio não sabia treinar seus times, e só dava certo quando lidava apenas com o lado motivacional dos jogadores.
Se era verdade ou não eu não sei, mas que isso aconteceu de fato aconteceu! 

Desgaste e pouco futebol o derrubaram.
Os questionamentos do elenco começaram acontecer. O time que parecia tão unido, pareceu se perder ao longo do segundo turno. E se no primeiro turno o time foi o campeão, com um baita aproveitamento, no segundo o time fez um campeonato horroroso. Foi o suficiente para a crise ficar instalada e a torcida abandonar os jogos em casa. O time que virava o turno em primeiro, em poucas rodadas começou a cair de posição e teve que lutar muito para garantir uma vaga na pré libertadores. Terminou o campeonato com incríveis 15 empates.
Para muitos, Nenê foi um dos
responsáveis pela queda de produção.
Pra mim, uma vergonha para um time que mesmo a trancos e barrancos se mantinha entre os 4 do campeonato.

Pouco antes do término do campeonato, há 5 rodadas do fim, Raí mandou Aguirre embora, alegando que com isso, faria o elenco reagir e garantir a então vaga direta na libertadores. André Jardine, que era auxiliar assumiu (dias depois foi efetivado também para 2019), e claramente não conseguiu dar jeito num elenco recheado de cobras e lagartos.
Apesar de eu achar que Aguirre estava desgastado, eu não mandaria embora naquele momento, pois ele deveria ter finalizado o campeonato. Lugano também não gostou de não ser consultado sobre a demissão.

Algumas coisas culminaram com o time terminar o campeonato em 5º lugar. O elenco limitado é um desses, mas na verdade, os bastidores do clube está contaminado. Entra ano, sai ano, e o São Paulo não consegue montar um elenco decente. O time que já foi durante muitos anos referência passou a ser motivo de desistência de jogadores, que quando são consultados, desistem. E quando estão no elenco, sucumbem.
Falavam a mesma língua? R. Rocha vazou.
Enquanto coisas como essas continuarem, amargaremos mais anos sem títulos, ou então um time que faça o torcedor acreditar mais. Os nomes contratados esse ano provam o quanto estamos perdidos. Foram gastos milhões e milhões em jogadores limitados, ou que não fizeram por merecer estar ali, e isso, ao longo do ano pesa, e a conta chega. Muito investimento financeiro pra pouco investimento técnico.

Se olharmos para o ano de 2017, para fazer uma comparação, podemos dizer que a única diferença para esse 2018, é a posição que ficamos no campeonato nacional, pois o restante, foi tão ruim quanto.
O pior disso tudo, é saber que na medida em que os dias passam, e as coisas permanecem as mesmas, o tricolor terá dificuldade novamente em 2019.
 
Terão paciência com seu trabalho?!
Eu quero estar muito enganado, mas eu acredito que Jardine será mandado embora assim que terminar o paulistinha (provavelmente sem título), e não aguentará a pressão que é jogar uma libertadores. Isso é, se o time se classificar para a fase de grupos do torneio.
Tudo leva a crer que teremos as mesmas dificuldades que estamos enfrentando nos últimos anos.
Ou o São Paulo briga para ser respeitado novamente ou continuaremos sofrendo e vendo nossos rivais ganhando títulos e se aproximando cada vez mais de nossa história.

FORA LECO

Rafa Malagodi



Nenhum comentário:

Postar um comentário