Se pararmos para fazer uma analogia do ano de 2016 do São Paulo, eu
diria que ela se assemelha com uma pessoa que viveu na UTI. Teve seus altos e
baixos. Seus momentos de alegrias, tristezas, desesperos, estabilidades.
E assim como no caso de uma pessoa hospitalizada, que depende de
profissionais gabaritados, qualquer outro tipo de profissional pode colocar
tudo a perder.
Pois é, o tricolor foi assim, como um paciente,que viveu momentos de
euforia, como chegar as semi finais da Libertadores, e se iludir cada vez mais
com seu “quadro clínico”, mas teve também o momento de desespero, quando o time
não vencia no brasileiro, e foi colocando uma pulga atrás da orelha de cada
torcedor, e correndo riscos de quedas para a série B.
Nos dois casos (São Paulo 2016 e paciente hospitalizado), a parte
psicológica influencia demais. Quando estava bem, acreditava ser invencível,
quando mal, imaginava ser o fim.
Felizmente, o São Paulo foi aquele paciente que apesar de passar um
bom tempo no hospital, e ter sido desenganado por algumas pessoas, conseguiu no
fim das contas se recuperar, fazer fisioterapia e depois receber alta. Mas
apesar disso, recebeu sérias recomendações médicas de que no ano seguinte,
precisará se cuidar mais, pra não sofrer novamente.
O começo do ano
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| Estadual e seu primeiro vexame. |
O time chegou com desconfianças. Depois das saídas de Rogério Ceni
(encerrou a carreira) Pato e Luis Fabiano (fim de contrato), nomes que elevavam
o nível do elenco, o tricolor viveu com contratações de inicio de ano ruins e
cheio de incertezas. Nomes como Kieza, Mena, Kelvin e até mesmo Lugano, eram
vistos com maus olhos por muitos.
O atraso de salários também bagunçou o ambiente do clube, que tinha
alguns medalhões recebendo uma bala. E como já vem acontecendo há algum tempo,
um vexame na eliminação do estadual. A goleada para o Audax contribuiu para o
ambiente ruim.
O treinador na ocasião, Edgardo Bauza, passou a ter seu desempenho
questionado, pois alem da eliminação do paulista, o time passou um sufoco
danado para se classificar na fase de grupos da libertadores. O time era
cobrado por falta de padrão de jogo e pelos poucos gols que fazia.
Foi nesse momento que o clube
começou a ficar “doente”.
Do sufoco a semi final
Como já dito, o time sofreu para se classificar na fase de grupos da
libertadores. Iniciar com derrota em casa (mais precisamente no Pacaembu), fez
a torcida cobrar cada vez mais, e digamos que ela foi determinante também na
competição.
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| A derrota em casa gerou uma pressão sem tamanho. |
O tricolor não passava confiança que iria longe no torneio, porém, a
sorte também caminhou com o clube. Depois de conseguir alguns pontos
importantes, como vencer River em casa e empatar na Argentina, o time passou à
acreditar que era possível classificar. O jogo decisivo, entre tantos, foi a
partida na altitude, diante do The Strongest. O time não podia perder em
hipótese alguma, e foi numa partida dura que saiu com um empate, que bastou
para se classificar, com uma campanha fraca, mas classificado.
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| Os pontos contra o River deram nova perspectiva. |
A partir daí, a camisa começou a pesar, e o torcedor acreditar. O time
passou com certa facilidade pelas oitavas, ganhando o primeiro jogo em casa,
diante do Toluca-MEX por 4 a 0, e encarou de igual para igual o Atlético/MG nas
quartas. Cada jogo, o Morumbi explodia de euforia.
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| Os colombianos colocaram o tricolor em sua realidade. |
Quando o árbitro apitou o final daquela segunda partida em Minas
Gerais, o tricolor estava novamente numa semi final de libertadores. De
desacreditados, o time passou a ficar cada vez mais perto do título.
Mas o time não teve sorte, nem competência para vencer o Atlético
Nacional-COL (Que foi campeão). Nesse momento da temporada, a torcida não sabia
qual era o São Paulo verdadeiro. Se era aquele que chegou tão longe na
competição ou se era aquele que por pouco não se classificou.
Aquela altura, alguns sintomas
já tinham aparecido, mais os bons momentos fizeram o “paciente” acreditar que estava
curado, e começou à almejar coisas maiores no restante do ano.
Palavra que faz curva
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| Abandonou o barco. |
Depois de questionado no inicio, Bauza conseguiu convencer boa parte
das pessoas que era possível brigar por coisas mais relevantes no restante do
ano. Sondado por dirigentes argentinos, o treinador chegou a dizer que era
homem o suficiente para cumprir com a palavra e permanecer no clube, porém não
foi o que aconteceu. O treinador se mandou para assumir a seleção de Messi e
causou revolta de muitos. Outros chegaram a comemorar sua saída.
Um dos profissionais que cuidava
do paciente desistiu do tratamento, e isso contribuiu para alguns sintomas
voltarem, e foi ai que o São Paulo começa a ficar mal novamente.
Decisões equivocadas, erradas, bizarras entre outras burrices da
diretoria
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| Eliminação bizarra e Denis falhando como nunca. |
Para a vaga de Bauza a diretoria (principal responsável pelo quadro
clínico da equipe) começou à aprontar... Trouxe para assumir o comando Ricardo
Gomes, treinador limitadíssimo (que após sair do Botafogo, o clube carioca
chegou a libertadores no fim do campeonato).
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| Cenas pra esquecer. |
A cada jogo, o time causava mais pânico. O São Paulo chegou a ficar 5
jogos sem vencer, e dentre eles, outro vexame. Perdeu para o Juventude, em
casa, no primeiro jogo da copa do Brasil. Na volta não conseguiu reverter o placar,
e estava eliminado para um time de série C...
Nesse período aconteceu o fato mais lamentável do clube. Torcedores
invadiram o CT da Barra Funda e agrediram alguns jogadores. Esse fato
atrapalhou ainda mais o desempenho da equipe.
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| Até camisa amarela teve em 2016. |
Junta-se isso a nomes bizarros que a diretoria contratou para “ajudar”
o elenco. Nomes como Gilberto, Robson, Jean Carlos chegaram com uma
desconfiança absurda. Evidente, pois nenhum deles tem futebol pra São Paulo
Futebol Clube.
Ainda na onda das bizarrices, a diretoria autorizou o clube a jogar
com uma “terceira camisa” amarela, que foi achincalhada desde sua aparição na
internet.
O ano de 2016 era pra esquecer mesmo...
O time volta ao hospital e passa
a ficar sob orientações de médicos inexperiente e/ou péssimos.
Calculadora no bolso e um médico de verdade na comissão
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| Cada derrota, um desespero. |
Ficar sem vencer no campeonato, com o time bagunçado, com jogadores
agredidos, e com elenco fraquíssimo, todo jogo era um tormento, pois além de
acompanhar o tricolor, o torcedor tinha que ficar de olho se o adversário não
estava chegando cada vez mais perto, ainda mais porque mais da metade do
brasileiro já havia passado.
Esse é o período mais crítico do clube, pois foi quando o time passou
de fato a ficar perto da zona do rebaixamento. Eu mesmo acreditei que esse ano
seria difícil de se salvar, pois as perspectiva não eram animadoras.Os principais adversários da equipe passaram a ser os clubes de baixo da tabela. Isso não condizia com um clube como o São Paulo, mas infelizmente, era nossa realidade de momento.
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| Vitória chave. A partir desse jogo, tive a impressão que não cairíamos. |
Foi ai que um médico de verdade foi acionado, e Marco Aurélio Cunha
voltou ao tricolor para ajudar esse paciente tão enfermo. Eu sou um dos que
acredita que ele auxiliou e muito na reabilitação do time.
As coisas passaram a melhorar quando o time venceu dois jogos, sendo
um deles, diante do Fluminense improvável. Aquela vitória elevou a moral do
time e da torcida, que voltou à acreditar que era possível se salvar. De fato
foi, e faltando 6 rodadas pro fim, o time estava livre do perigo.
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| Momentos raros. 4 a 0 foi pouco. |
A moral ficou tão elevada, que o time chegou a golear o SCCP por 4 a 0
no Morumbi, sob os gritos de olé.
Uma pena que o ano não foi assim na maior parte. O clube conseguiu um
feito pra esquecer e que resume bem 2016. Durante todo o ano, não conseguiu ter
mais vitórias do que derrotas, terminando com empate de 26 pra cada lado.
Depois de muitos medicamentos,
de ficar desacreditado, de chegar a rezar, o time enfim recebeu alta e pode
fazer sua recuperação em casa.
Pílulas do futuro?!
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| O futuro está ai? |
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| Será que o Mito vai ser diferenciado? |
Uma coisa boa que aconteceu, mas que deve ser tratada com cuidado e
dedicação, foram os jogadores da base que surgiram esse ano no clube. Primeiro
Lucas Fernandes, que infelizmente se machucou, depois vieram Luiz Araújo e
David Neres. Esses garotos, são responsáveis por esse ano mágico das categorias
de base do tricolor, agora, é preciso saber utilizar todos esses que subiram e
olhar com carinho os demais. Pra isso, o treinador em 2017 será Rogério Ceni.
Nosso ídolo máximo foi chamado, não recusou e diz estar preparado pra fazer a
torcida tricolor voltar a sorrir.
Seria esse o remédio ideal para
não ficarmos mais doentes???
Não podia deixar de falar...
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| A singela homenagem tricolor. |
Apesar de todo o ano ruim do tricolor, isso tudo perde o valor quando
acontece um acidente, no fim de novembro que mata 71 pessoas, entre elas, o
time da Chapecoense, que rumava para Colômbia, onde faria um jogo histórico de
sua história.
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| #FORÇACHAPECOENSE |
Esse acidente virou uma comoção mundial, e qualquer outra coisa que
acontecesse no futebol, era pequeno diante da perda que o torcedor do futebol
teve.
O São Paulo havia jogado dias antes contra os catarinenses e saiu
derrotado. Na última rodada, uma linda homenagem aconteceu e o São Paulo,
contra o Santa cruz vestiu-se de luto.
Rafa Malagodi















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